FSD Supervisionado da Tesla: o que o teste belga a 400 km mostrou antes da votação europeia

Um teste independente a 400 km de condução em Bruxelas encontrou excesso de velocidade em 55% das zonas de 30 km/h percorridas com o FSD Supervisionado da Tesla, com uma velocidade média de 44 km/h nos troços onde o limite foi ultrapassado fonte. O estudo, publicado a 24 de setembro pela associação belga Johanna.be, chegou dias antes de se confirmar que a reunião europeia de 6 de outubro não vai, afinal, decidir a aprovação do sistema em toda a União — e ajuda a explicar porquê. Para quem tem um Tesla em Portugal, este teste pesa tanto como o calendário da votação.
O que o teste de Bruxelas encontrou
Os testadores da Johanna.be conduziram três dias em julho, percorrendo cerca de 400 km sobretudo em ruas de baixa velocidade, onde peões e ciclistas estão mais expostos fonte. Nas zonas de 30 km/h testadas, o FSD excedeu o limite em 55% dos troços, com uma velocidade média de 44 km/h nos casos de excesso fonte. Parte da explicação, segundo a associação, está no próprio sistema de reconhecimento de sinais: o ecrã do carro mostrou um limite de 50 km/h na maioria das zonas de 30 km/h percorridas, ou seja, o FSD muitas vezes nem sequer identificava corretamente o limite em vigor fonte. O grupo documentou ainda o FSD a tentar repetidamente ultrapassar ciclistas em “fietsstraten” (ruas-ciclovia), onde o código da estrada belga não permite essa ultrapassagem a um automóvel fonte.
A Johanna.be sustenta a gravidade destes números com dados da Organização Mundial da Saúde: um peão atropelado a 44 km/h tem quase seis vezes mais probabilidade de morrer do que um atropelado a 30 km/h fonte. A Tesla respondeu com um estudo próprio, segundo o qual os veículos com FSD “não excedem a velocidade de forma excessiva” e acompanham antes a velocidade do trânsito envolvente fonte — uma leitura que contraria diretamente os números medidos pela associação belga nos mesmos tipos de via.
Porque isto pesa na reunião de 6 de outubro
A aprovação neerlandesa do FSD Supervisionado, concedida pela RDW em abril, só se estende a toda a União Europeia se o Comité Técnico de Veículos a Motor (TCMV) votar a favor, com uma maioria qualificada de 15 dos 27 Estados-membros fonte. A reunião estava originalmente prevista para decidir isso a 6 de outubro, mas este site já noticiou que a agenda divulgada pela Comissão Europeia reserva ao assunto apenas 25 minutos de “continuação das discussões”, sem votação marcada fonte. O teste da Johanna.be, divulgado poucos dias antes dessa agenda se tornar pública, é um dos elementos que a imprensa associa ao adiamento: a notícia confirma que o recuo surgiu “depois de serem conhecidos os resultados dos testes belgas, que levantaram novas dúvidas sobre o desempenho da tecnologia” fonte. Um responsável do governo flamengo — a mesma região que, em junho, tinha dado luz verde ao FSD Supervisionado depois de a Tesla completar milhares de quilómetros de testes nas suas estradas — respondeu ao estudo da Johanna.be dizendo apenas que o sistema está “a aprender” e que o condutor continua “100% responsável” por qualquer manobra fonte.
O que isto muda para um proprietário de Tesla em Portugal
Portugal continua sem ter apresentado um pedido equivalente ao da Holanda, pelo que nenhuma destas notícias altera, para já, as funções hoje disponíveis num Tesla matriculado no país. O que o teste belga acrescenta ao que já se sabia é a razão prática por trás do adiamento: não se trata só de um calendário europeu apertado, mas de dúvidas de segurança concretas e medidas — excesso de velocidade, sinais mal lidos, ultrapassagens indevidas a ciclistas — que vários países, incluindo a Suécia, invocam para travar uma aprovação automática em toda a União. Para quem em Portugal já paga o pacote FSD à espera de uma extensão europeia, estes números sugerem que essa aprovação, mesmo que volte a ser discutida em dezembro, não depende apenas de contar votos: depende de a Tesla conseguir responder a testes de segurança independentes como este, feitos fora do seu próprio controlo.
Fontes
Este artigo é informativo e foi escrito de forma independente. As características dos veículos e a legislação podem mudar: confirme sempre junto das fontes citadas antes de agir.



